quarta-feira, julho 04, 2007


Não me peçam calma enquanto violam meus direitos, invadem minha casa, roubam meus pertences e a vã idéia de porto seguro que tinha de meu lar.
Surtar, nessas horas, é a mais sábia das atitudes.
Após chutar algumas caixas que encontrei pelo caminho, esmurrar parede, dar voltas e mais voltas em torno do sofá e chorar de forma que causaria inveja a qualquer atriz hollywoodiana, senti-me preparada para suportar o que viria pela frente.
A pior das constatações não é o resultado da lista das coisas materiais que foram roubadas, mas enxergar, tristemente, que segurança é coisa tão etérea quanto o aroma de um bom perfume. E como este - por mais que seja de qualidade - um dia chega ao fim.
Passado o surto e a constatação, melhor tomar as providências para que o mal não se repita e, aí sim, buscar a calma para superar a longa espera e indiferença numa delegacia de polícia para obter um Boletim de Ocorrência.
Trocar a fechadura também é recomendável. E, segundo o chaveiro, (ilusória) segurança não se economiza.
Meus gatos passam bem, obrigada. Um pouco assustados, mas bem.
Minha amiga Debs, tão vítima quanto eu, também se recupera.
As coisas levadas serão, cada uma a seu tempo, repostas.
O restabelecimento da segurança, mesmo que utópica, está sendo providenciado.
A luta que travo agora é a de manter o que sobrou de fé na humanidade. Evitar a tentação de desconfiar da minha própria sombra. E sentir-me consolada por não ter acontecido nada pior.
Meu próximo passo será vestir minha fantasia de Colombina e comemorar as mazelas que vem nesse pacote que chamamos vida.
Faz parte?
Tenho minhas dúvidas.

9 comentários:

Debs disse...

Ilusões.
A fechadura nova não tira o mal estar de pensar que um estranho teve acesso a todo e qualquer tipo de informação, de bens materiais, de espaço pessoal, intimo...
Difícil fechar os olhos dentro de um lugar invadido.

C. Meliska disse...

Há coisas que não se resgata. E é isso que me deixa inconformada.

Karla disse...

Nâo sei o que dizer, Meliska. Essa sensação de sentir-se invadida em seu próprio espaço deve ser muito ruim. Pena que chegamos a esse ponto.
Mas saiba que esse Varal é mais forte do que qualquer ventania, porque a dona dele é iluminada e vai conseguir da a volta por cima!!
Beijos e meu carinho,
Karla Julia

Sel disse...

nua e crua, sincera, dura, mas honesta
...essa est la vie et elle continue...

eu sinto Chris...
beijo

Anderson Sutherland disse...

Nossa!

Menina Cris! Força! Fé. Não fé na humanida, essa que sempre nos surpreende mas fé em seus sonhos, ideais...

Sinto pelo ocorrido! Sinto muito.

- Seguirei teu conselho - !

Fé Menina Cris! Fé!

:(

Tê Caroli disse...

fragmento de Eduardo Alves da Costa:

No caminho com Maiakovski

"[...]

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

ATÉ QUANDO VAMOS AGUENTAR?
TÊ.

ROSA disse...

O que dizer......
É o mundo esta ao contrário!!! Será que ninguém consegue enxergar isso????
conte comigo sempre!!!
:(
eu sinto Cris...

Maria Julieta disse...

oi cris,

bem... parece que um dia acontece..
é como um filme de ficção científica, existe mas não é verossímil.
a vida é uma ficção não científica.

bjs. julieta.

Lincon disse...

faz parte?
tbm nao sei....
como disse rosa:
O mundo esta ao contrario!
nem msmo em nossa casa podemos ter segurança, me sinto do msmo jeito desconfiando da minha propria sombra...
nao queria, logico, mais se nao ficarmos atentos podemos ser golpeados a qualquer instante!
nunca tinha sido assaltado, até q um dia.....
e mais outro dia...
e quase mais outro dia..
=/
trist isso!